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Parece que os vereadores Alexandre Dentista e José Antonio de Freitas Campos, o Tuco, querem manter a atitude de avestruzes no que diz respeito à denúncia feita contra o primeiro e a defesa que Waldemar Ribeiro fez da acusação, feita por Tuco, que ele trabalhava em troca de pagamento na campanha de Alexandre Maia, quando este candidatou-se a deputado federal.
Na última sessão da Câmara, aliás uma das mais curtas dos últimos tempos, apenas o vereador Waldemar Ribeiro fez uso da palavra. Os outros preferiram o silêncio.
Em conversa com a reportagem do CORREIO DOS LAGOS o vereador Alexandre de Almeida disse que não responderia ao jornal porque a versão dele não seria publicada de forma correta. O desafio que foi lançado a ele: gravamos a reportagem para ver se os termos dela será respeitado. O vereador se esquivou e ainda pediu para que lêssemos o “contrato mais atentamente”.
Atendemos o pedido do vereador. Não há leitura que modifique o entendimento, não apenas do jornalista mas de outros solicitados por nós: Alexandre Dentista obriga, contratualmente, um assessor, pago com dinheiro do poder legislativo, a dividir seu salário com outro. Isto é ilegal, além de imoral.
Na falta de argumentos de defesa, talvez o certo seja mesmo continuar como avestruz, cabeça enfiada no buraco. Pelo menos fica claro que quem tem voz para apontar erros nos outros, não consegue levanta-la em sua própria defesa.
A reunião na Câmara Municipal de segunda-feira foi um exemplo de como há homens e homens. Denunciados publicamente por atos e palavras impróprias para um parlamentar Alexandre Dentista e Tuco escolheram o caminho da tergiversação no lugar de colocarem seus pontos de vistas sobre os assuntos, talvez na esperança que tudo acabe em pizza.
Os dois têm sido bastantes homens para denunciar mazelas na atual administração, mas não foram suficientemente para se defenderem do que lhes acusam.
Alexandre Almeida, pego no flagrante em documento suspeito de leva-lo à prática de improbidade administrativa, subiu à tribuna tentando desvirtuar o assunto e, bem ao seu estilo, passar de infrator à vítima. Difícil disso acontecer, já que o documento foi elaborado por sua assessoria, onde ele assume o papel de "Contratante" e dois assessores de "contratado". Até que poderia se compreender a intenção se o dinheiro usado para quitar as obrigações pecuniárias não fosse de um dos "contratados", sendo que, para agravar essa situação, os recursos são da Câmara de Vereadores. Ou seja Alexandre paga com dinheiro que não é dele, usurpado de funcionário que lhes presta serviço como vereador, portanto com dinheiro público e ainda assim quer posar de perseguido.
Não dá mais.
Desde o momento que foi procurado pelo CORREIO DOS LAGOS para dar a sua versão e não se importou em faze-lo, ele está devedor de uma explicação plausível para a sua atitude. Segunda (04/06), tinha nova chance, preferiu se calar.
Não foi diferente o que fez Tuco. Subiu à tribuna e não fez menção sobre o fato levantado por Waldemar Ribeiro. No lugar disso usou expressões: "o homem não deve elogiar a si próprio", todo comentário deve passar por três peneiras: verdade (avaliar se o fato é verdadeiro); bondade (ver se o fato divulgado não vai provocar injustiça); necessidade (ver se o fato é necessário que se divulgue).
Logo em seguida, fez um currículo de sua vida profissional repleto de elogios à sua condição profissional. Destacou as empresas que trabalhou e disse que de todas elas tem carta de recomendação. Vangloriou-se de, apenas com 31 anos, ter uma atuação profissional e política que considera importante. Nem esperou descer da tribuna. De lá mesmo demonstrou que o discurso na prática é outra coisa.
O vereador José Roberto Bernardes apenas completou o desmonte, quando disse que Tuco havia assinado diversas ações contra ele, todas até agora sendo derrotadas quando analisadas pelo judiciário. "É confortável saber que Tuco está amuderecendo e já pensa que para fazer uma denúncia ela tem que passar por peneiras", disse José Roberto.
Em seguida, de documento em punho, disse que, ao contrário de Tuco, fazia a denúncia baseado em dados concretos, mostrando a assinatura de Alexandre e assessores. Depois, encaminhou, por ofício, pedido para que o presidente da Casa encaminhe à Comissão de Ética o "Contrato" para avaliação.
Ademais Renatinho Ourives abordou a reportagem e disse que não se furtara dar parecer sobre matéria do executivo que trata de suplementação orçamentária para construção de salas de aula. Mostrou que tinha prazo até o dia 03 de julho, mas que o parecer já estava pronto desde o dia 31 de maio. Na segunda mesmo o projeto foi votado.
Ainda fizeram uso da palavra Marcos Salutti, que defendeu o projeto de sua autoria que propõe medidas de prevenção à gravidez na adolescência, também aprovado em primeira votação e Hilton Silva que disse da valorização de imóveis nos bairros Santa Luzia, Recanto da Harmonia e Bela Vista, em função da construção de obras públicas, como Pronto Socorro e escolas.
Mas o fato marcante foi o silencio de Tuco e Alexandre. De Tuco nem tanto, mas de Alexandre pior, o silêncio aí funciona como a atitude da avestruz diante do perigo: enfia a cabeça no buraco com a esperança de que o perigo se afaste. No caso de quem tem vida pública é um recurso inadequado.
A reunião na Câmara Municipal ia tranqüila na última segunda-feira (28/05). Primeiro uma justa homenagem à Marcos Pereira, juiz de direito aposentado e que hoje conduz os destinos da Associação de Proteção aos Presidiários de Passos. Depois, logo em seguida, a apresentação por parte de Daniel Porto dos trabalhos que estão sendo feitos para a construção do Hospital do Câncer.
Sessão suspensa, na volta aos trabalhos de plenário, uma vez encerrada as conversas de bastidores, vem a votação do projeto que institui crédito suplementar de 300 mil reais para implantação do Centro de Especialidades Odontológicas, um Programa do Governo Federal que vai permitir que a população mais pobre tem acesso a tratamento dentário, hoje só permitido a quem pode pagar dentistas particulares.
De repente, o primeiro escorregão. O vereador Renatinho Ourives se esquivou de dar parecer sobre outra suplementação orçamentária, desta vez em favo da educação e quase de igual valor. Segundo ele os valores estavam altos. Mas nenhum movimento dele no sentido de ir até a própria secretaria e conhecer os orçamentos para, enfim, ter razões para suas preocupações ou não. Nada disso, oposição têm é que protelar e que se dane a necessidade de centenas de crianças ou de melhorias na infra-estrutura das mesmas.
Na hora do Grande Expediente, momento em que os vereadores usam a tribuna para se expressarem sobre qualquer tema, é que o clima viria ficar tenso.
Primeiro a usar a tribuna, Waldemar Ribeiro, rebateu de forma veemente a fala do vereador Tuco que, em reunião passada havia dito que o veterano vereador havia ganho um carro para fazer a campanha de Alexandre Maia.
Pela forma como Tuco disse a frase, Ribeiro entendeu que estava sendo acusado de ter trabalhado pela candidatura de Maia em troca de favores materiais, ou seja estava vendendo seu voto.
Não deixou passar batido e disse que Tuco vai ter que provar o que falou, pedindo ainda que ele seja enquadrado pela Comissão de Ética da Câmara. A assessoria jurídica da casa estuda o caso.
Waldemar desceu da tribuna e entre ele e o médico José Roberto falou sobre algumas amenidades Hilton Silva e Tião Bacada. Aí chegou a hora da nota mais grave da sessão.
Neste momento o vereador e ex-presidente da Câmara denunciou: Alexandre fizera um contrato de prestação de serviço ilegal, que leva a improbidade administrativa. Pelo "contrato" assinado por ele, pelo advogado Telmo Aristides dos Santos e Bruno Luiz
Ferreira, os "contratos a aceitar como pagamento de seus honorários a remuneração paga pela Câmara de assessor parlamentar", frisando que ainda teriam que descontar a parte devida ao Partido Verde.
O nó está em que Alexandre se meteu a gerente de um recurso que não é seu. E mais grave envolve o próprio presidente da Casa que, em última instância, é que contrata os cargos de confiança da casa, indicados por cada vereador. Em resumo, está pagando dois, com o dinheiro dos vencimentos de um. E ainda assina documento dizendo-se "contratante". Ou seja abusa de sua posição de vereador e faz bonito com chapéu alheio, ou, no caso com o dinheiro do povo.
É muito semelhante o que Alexandre faz com que faziam os antigos donos de seringais, que obrigavam os trabalhadores consumirem tudo que ganhavam nos armazéns. O vereador, sempre se achando injustiçado, perseguido, abusa da necessidade econômica de um - aquele que ganha 400 reais - e aproveita da posição oportunista de um advogado - o que ganha 600 reais - e põe os dois para trabalhar para ele -tudo contado direitinho no contrato - para ele. Um senhor de escravo moderno...e que ainda posa de defensor dos oprimidos.
Vai ser difícil ele explicar. E muito mais difícil sair dessa.
O que ocorre é Tuco e Alexandre se enrolaram nas próprias línguas e correm o risco de verem morrer suas carreiras políticas vítimas do próprio veneno.