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A reunião na Câmara Municipal ia tranqüila na última segunda-feira (28/05). Primeiro uma justa homenagem à Marcos Pereira, juiz de direito aposentado e que hoje conduz os destinos da Associação de Proteção aos Presidiários de Passos. Depois, logo em seguida, a apresentação por parte de Daniel Porto dos trabalhos que estão sendo feitos para a construção do Hospital do Câncer.
Sessão suspensa, na volta aos trabalhos de plenário, uma vez encerrada as conversas de bastidores, vem a votação do projeto que institui crédito suplementar de 300 mil reais para implantação do Centro de Especialidades Odontológicas, um Programa do Governo Federal que vai permitir que a população mais pobre tem acesso a tratamento dentário, hoje só permitido a quem pode pagar dentistas particulares.
De repente, o primeiro escorregão. O vereador Renatinho Ourives se esquivou de dar parecer sobre outra suplementação orçamentária, desta vez em favo da educação e quase de igual valor. Segundo ele os valores estavam altos. Mas nenhum movimento dele no sentido de ir até a própria secretaria e conhecer os orçamentos para, enfim, ter razões para suas preocupações ou não. Nada disso, oposição têm é que protelar e que se dane a necessidade de centenas de crianças ou de melhorias na infra-estrutura das mesmas.
Na hora do Grande Expediente, momento em que os vereadores usam a tribuna para se expressarem sobre qualquer tema, é que o clima viria ficar tenso.
Primeiro a usar a tribuna, Waldemar Ribeiro, rebateu de forma veemente a fala do vereador Tuco que, em reunião passada havia dito que o veterano vereador havia ganho um carro para fazer a campanha de Alexandre Maia.
Pela forma como Tuco disse a frase, Ribeiro entendeu que estava sendo acusado de ter trabalhado pela candidatura de Maia em troca de favores materiais, ou seja estava vendendo seu voto.
Não deixou passar batido e disse que Tuco vai ter que provar o que falou, pedindo ainda que ele seja enquadrado pela Comissão de Ética da Câmara. A assessoria jurídica da casa estuda o caso.
Waldemar desceu da tribuna e entre ele e o médico José Roberto falou sobre algumas amenidades Hilton Silva e Tião Bacada. Aí chegou a hora da nota mais grave da sessão.
Neste momento o vereador e ex-presidente da Câmara denunciou: Alexandre fizera um contrato de prestação de serviço ilegal, que leva a improbidade administrativa. Pelo "contrato" assinado por ele, pelo advogado Telmo Aristides dos Santos e Bruno Luiz
Ferreira, os "contratos a aceitar como pagamento de seus honorários a remuneração paga pela Câmara de assessor parlamentar", frisando que ainda teriam que descontar a parte devida ao Partido Verde.
O nó está em que Alexandre se meteu a gerente de um recurso que não é seu. E mais grave envolve o próprio presidente da Casa que, em última instância, é que contrata os cargos de confiança da casa, indicados por cada vereador. Em resumo, está pagando dois, com o dinheiro dos vencimentos de um. E ainda assina documento dizendo-se "contratante". Ou seja abusa de sua posição de vereador e faz bonito com chapéu alheio, ou, no caso com o dinheiro do povo.
É muito semelhante o que Alexandre faz com que faziam os antigos donos de seringais, que obrigavam os trabalhadores consumirem tudo que ganhavam nos armazéns. O vereador, sempre se achando injustiçado, perseguido, abusa da necessidade econômica de um - aquele que ganha 400 reais - e aproveita da posição oportunista de um advogado - o que ganha 600 reais - e põe os dois para trabalhar para ele -tudo contado direitinho no contrato - para ele. Um senhor de escravo moderno...e que ainda posa de defensor dos oprimidos.
Vai ser difícil ele explicar. E muito mais difícil sair dessa.
O que ocorre é Tuco e Alexandre se enrolaram nas próprias línguas e correm o risco de verem morrer suas carreiras políticas vítimas do próprio veneno.
A reunião da Câmara de Vereadores viveu momento de intenso debate. A pedido do SEMPRE, vereador Nivaldo Chaparral, presidente da Casa, reuniu-se com professores no plenarinho para, mais uma vez, debater os projetos de lei de interesse da categoria.
O SEMPRE, mete os pés pelas mãos em pelo dois momentos: 1) Faz ataques desnecessários ao vereador José Roberto e à Secretária de Educação Maria de Jesus (sua mulher) 2) quando diz que se os vereadores não atendessem os seus pleitos iriam entrar na justiça contra a Câmara. Ora, se o caso é de diálogo não se ameaça e se for para tecer críticas a quem quer que seja, é bom que isto ocorra separado do contexto geral e que pelo ofereça a oportunidade do contraditório.
Por outro lado, o sindicato radicalizou ao transformar a discussão de vantagens para professores em tema político. Foi o bastante para que a oposição (Tuco, Alexandre Dentista, Marcos Salutti, Renatinho Ourives e Renato Andrade) subisse no palanque e passasse a defender emendas, que sabe não ter amparo legal para propor.
Satisfeitos com nó que imaginavam estar dando na situação, sindicato e partidos de oposição viram a ficha cair, quando o vereador Waldemar Ribeiro foi a tribuna e esclareceu a situação: "Devia estar alegre. Hoje votamos o aumento dos funcionários da câmara, dos servidores municipais, dos vereadores, do prefeito e dos secretários. Mas não conseguimos votar o piso dos professores", disse. Em seguida destacou: "É a culpa é da oposição que, ao apresentar emendas que sabem incorretas, estão protelando a aprovação da lei que beneficiaria o magistério por pelo menos mais trinta dias", frisou.
Se o projeto fosse votado na segunda-feira (21/05), os professores que teriam sua situação acertada, passariam a receber 742 reais no lugar dos atuais 531. Agora, como as emendas têm que serem analisadas pelas comissões, no mês de maio fica difícil para os professores que seriam beneficiados, receberem. "Eu tinha prometido pedir ao prefeito para pagar os professores ainda este mês. Agora não tem mais jeito", lamentou Waldemar.
A estratégia da oposição foi temerária. Escolheram a forma e a hora errada de se posicionarem com o pedido de emenda. Agradaram ao SEMPRE e, principalmente, as veteranas, que temem perder direitos adquiridos e prejudicaram, com certeza, 300 professores que poderiam estar recebendo desde este mês o valor proposto pelo prefeito Ataíde Vilela.
Não souberam separar os momentos, como aliás fez Renatinho Ourives, quando se votoum também com urgência, a implantação do MinasFácil, órgão do governo do Estado que visa agilizar o processo de instalação de empresas, pela eliminação da burocracia
Aí para Renatinho, valeu o interesse da categoria que representa, os comerciantes, que serão os maiores beneficiados com a implantação do MinasFácil, por isso, sem pestanejar votou a favor do projeto.
No caso dos professores, esta não foi a visão dele e nem de seus pares. Pensaram primeiro na política partidária e, querendo impingir uma derrota aos vereadores de situação e ao prefeito, derrotaram os professores que esperavam o reajuste. É bom lembrar que contaram com grande força do Sindicato para isso.
Pura politicagem! Uma dececpção!
Aconteceu!
Em plena luz do dia, num horário de grande movimento da Avenida Arouca, a avenida onde se localiza a maioria dos bancos comerciais com sede em Passos, ele apareceu e me chamou pelo nome. Não me assustei. Sua aparência era normal. Não usava nenhum lençol sobre a cabeça.
Quando cheguei perto, atendendo ao seu chamado, ele me disse: “ce anda escrevendo demais no seu jornal”. Quis saber sobre o que exatamente. Gilberto Donezzetti Ribeiro disse que era sobre aquele negócio de funcionário fantasma. “Eu não sou fantasma não, viu?”, disse.
Em seguida confirmou que trabalhava para o deputado estadual André Quintão. “Sou assessor regional do deputado”, disse. Quis saber dele se trabalhava também na FESP. “Trabalho à noite. E isto não quer dizer nada, porque a FESP é particular e, então não acumulo dois empregos públicos”, apressou-se em dizer como justificativa para a frase que diria em seguida. “Posso até arranjar mais empregos, se quiser”, defendeu-se.
Perguntei em que cidade funcionava o escritório do deputado Ande Quintão. “Não tem. Não há dinheiro para isso”, disse, esquecendo-se de dizer que para pagar funcionário que nem precisam ir ao gabinete e nem a um escritório para justificar-se quanto a que trabalham estão fazendo, o dinheiro existe.
Para Gilberto a função é debater os problemas da comunidade. O que vimos por aqui não são idéias, mas atos públicos de afirmação de ser contra pelo fato de ser contra. “Não vou dizer que não haja política, é claro que há, o ano que vem tem eleição”, lembrou para em seguida remendar que “tenho falado com o Auro (outro fantasma, mas só que camarada) que a gente ficar só na denúncia não, senão a gente vira demagogo, precisamos apresentar propostas também”, disse.
De repente o pedido. “Faz lá o teu jornal, deixa a gente trabalhar quietinho. É importante a cidade ter outro jornal, só a Folha não é bom, porque ela pode monopolizar as informações”, disse.
Então ‘tá.
O que Gilberto não explicou é como ele consegue ser assessor regional de um deputado, sem necessidade de ir ao gabinete, e ainda trabalhar à noite em uma instituição onde até bem pouco tempo era presidente de curso de Serviço Social. Faltou também a informação sobre quanto ganha um desses assessores que nem comparecer ao local de trabalho precisam, porque, talvez, quando perguntado, possa dizer que esta por aí, num lugar qualquer da região, “assessorando o deputado”.
É bem diferente o jeito de assustar dos fantasmas de hoje. Antigamente eles colocavam um lençol sobre a cabeça,à noite, na solidão da escuridão davam berros apavorantes, daqueles que gelavam a espinha. Hoje, moderninhos, embolsam o dinheiro público, a título de soldo, saem pelas ruas, faixas em punho, reclamando que não há dinheiro para o remédio, para pavimentação e fingem não darem conta que alguma parte está no próprio bolso dessa gente.
Não são abnegados na defesa do interesse público, ao contrário, são oportunistas pagos com o dinheiro da própria população. Abnegados são aqueles representantes da associação de moradores, líderes em seus bairros, que sabem pedir, mas que não toleram a demagogia de quem quer se passar por detentor do saber do conceito de cidadania, travestidos em pregadores e que nada mais fazem do que “ganhar o seu” em cima de uma ação politiqueira tão somente.
Onde estão eles na defesa de uma universidade pública, por exemplo?
Bem que o Gilberto podia convidar o seu amigo Auro e irem fazer manifestação em frente a FESP para que conseguíssemos ter uma aqui uma universidade federal ou estadual. Mas será, Gilberto, que trabalhando na instituição você conseguiria?
Milhares de estudantes que não têm a sorte de ter um padrinho deputado gostariam de ver seu engajamento – e de seus companheiros – nesta causa. Sejam camaradas ou não.