Blog do CORREIO DOS LAGOS - Carlos Alberto Alves

Blog de Opinião e análise do diretor do semanário CORREIO DOS LAGOS, Passos (MG)

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Arquivo de: Junho 2007

16.06.07

Sobre Construção Partidária e Outras Ações Sociais

O deputado estadual André Quintão (PT) esteve em Passos participando da Conferência Municipal de Assistência Social. Diz ter uma atuação suprapartidária de apoio às questões sociais e reconheceu que a cidade tem uma boa rede de assistência ao mais pobre. Disse que não gostaria de ver seu trabalho de apoio a este serviço social comprometido pelas brigas políticas locais e estendeu seu manto protetor sobre seu assessor na cidade.


Claro, isto é um problema do deputado.


Bom, seria, se o dinheiro que paga este assessor não fosse do contribuinte se, como diz entender André Quintão, não estivesse entre as atribuições desse “funcionário” fazer “a construção partidária”.


Trocando em miúdos, o que o deputado afirma que é que é permitido a funcionário da Assembléia Legislativa de Minas trabalhar na “base” tendo como um dos objetivos fazer crescer o partido político a que pertence, no caso, o PT.


Será mesmo?


Se for prestar atenção nas ações desses “fantasmas” que hoje perambulam pelas ruas de Passos nada se viu deles em prol das questões sociais da cidade, como o hospital do Câncer (de certo daqui a pouco vai aparecer alguma emenda destinando recursos para a construção do mesmo), o apoio aos menores abandonados, hoje um motivo de preocupação para as autoridades municipais, nem tão pouco se viu qualquer articulação destes em favor de  uma discussão mais aprofundada sobre os problemas sociais locais.


O que se percebe aqui e ali são estes senhores trabalhando manifestações, preparando abaixo assinado com o objetivo de defender seus empregos e sacar seu fel contra quem, acreditam, não comungam de seus pensamentos políticos partidários.


Uma pena que, ao ser abordado sobre o assunto, o deputado se mostre irritado e ainda deixe perspassar na sua fala uma ameaça, a de que poderia deixar de “ajudar” o trabalho de assistência social, se as “brigas” políticas atrapalharem.


Ora, por quem este deputado toma os cidadãos desse município que até hoje souberam tão bem, como ele mesmo reconhece, cuidar de seus problemas?  Não que as ajudas não sejam bem vindas, mas condicioná-la, mesmo que de forma velada, não fica bem  para quem se diz adepto de uma prática moderna de fazer política, que inclui a de deixar sem qualquer fiscalização a ação de uma assessoria que só tem a “obrigação”  de prestar contas “ao gabinete”,  como se este gabinete não fosse pago também com o dinheiro do contribuinte.


Mas o deputado estadual, afinal, deixou as coisas bem postas: o assessor deve se preocupar em fazer a “construção partidária”. Ou seja ele está sendo pago com o dinheiro do povo para fazer política partidária, antes de qualquer ação social mais importante. Neste caso não precisa mesmo de um escritório, mas de apresentar, talvez, como comprovação de sua eficiência, uma boa quantidade de fichas de filiação ao PT.


É assim que ele apóia a construção de uma sociedade mais crítica: custeando funcionários que não precisam prestar contas à sociedade sobre suas atividades e tendo como uma das atribuições fazer crescer o partido a que pertence a custo do dinheiro do povo.


Quem te viu e quem te vê hein PT?

  • criado por  carlosalbertoalves criado por carlosalbertoalves
  • Postado em 05:19:07

14.06.07

Avestruz não tem voz


Parece que os vereadores Alexandre Dentista e José Antonio de Freitas Campos, o Tuco, querem manter a atitude de avestruzes no que diz respeito à denúncia feita contra o primeiro e a defesa que Waldemar Ribeiro fez da acusação, feita por Tuco, que ele trabalhava em troca de pagamento na campanha de Alexandre Maia, quando este candidatou-se a deputado federal.

 


Na última sessão da Câmara, aliás uma das mais curtas dos últimos tempos, apenas o vereador Waldemar Ribeiro fez uso da palavra. Os outros preferiram o silêncio.

 

Em conversa com a reportagem do CORREIO DOS LAGOS o vereador Alexandre de Almeida disse que não responderia ao jornal porque a versão dele não seria publicada de forma correta. O desafio que foi lançado a ele: gravamos a reportagem para ver se os termos dela será respeitado. O vereador se esquivou e ainda pediu para que lêssemos o “contrato mais atentamente”.

 

Atendemos o pedido do vereador. Não há leitura que modifique o entendimento, não apenas do jornalista mas de outros solicitados por nós: Alexandre Dentista obriga, contratualmente, um assessor, pago com dinheiro do poder legislativo, a dividir seu salário com outro. Isto é ilegal, além de imoral.

 

Na falta de argumentos de defesa, talvez o certo seja mesmo continuar como avestruz, cabeça enfiada no buraco. Pelo menos fica claro que quem tem voz para apontar erros nos outros, não consegue levanta-la em sua própria defesa.

  • criado por  carlosalbertoalves criado por carlosalbertoalves
  • Postado em 09:53:58

05.06.07

Avestruzes

A reunião na Câmara Municipal de segunda-feira foi um exemplo de como há homens e homens. Denunciados publicamente por atos e palavras impróprias para um parlamentar Alexandre Dentista e Tuco escolheram o caminho da tergiversação no lugar de colocarem seus pontos de vistas sobre os assuntos, talvez na esperança que tudo acabe em pizza.

 

 Os dois têm sido bastantes homens para denunciar mazelas na atual administração, mas não foram suficientemente para se defenderem do que lhes acusam.

 

Alexandre Almeida, pego no flagrante em documento suspeito de leva-lo à prática de improbidade administrativa, subiu à tribuna tentando desvirtuar o assunto e, bem ao seu estilo, passar de infrator à vítima. Difícil disso acontecer, já que o documento foi elaborado por sua assessoria, onde ele assume o papel de "Contratante" e dois assessores de "contratado". Até que poderia se compreender a intenção se o dinheiro usado para quitar as obrigações pecuniárias não fosse de um dos "contratados", sendo que, para agravar essa situação, os recursos são da Câmara de Vereadores. Ou seja Alexandre paga com dinheiro que não é dele, usurpado de funcionário que lhes presta serviço como vereador, portanto com dinheiro público e ainda assim quer posar de perseguido.


 Não dá mais.


 Desde o momento que foi procurado pelo CORREIO DOS LAGOS para dar a sua versão e não se importou em faze-lo, ele está devedor de uma explicação plausível para a sua atitude. Segunda (04/06), tinha nova chance, preferiu se calar.


Não foi diferente o que fez Tuco. Subiu à tribuna e não fez menção sobre o fato levantado por Waldemar Ribeiro. No lugar disso usou expressões: "o homem não deve elogiar a si próprio", todo comentário deve passar por três peneiras: verdade (avaliar se o fato é verdadeiro); bondade (ver se o fato divulgado não vai provocar injustiça); necessidade (ver se o fato é necessário que se divulgue).


 Logo em seguida, fez um currículo de sua vida profissional repleto de elogios à sua condição profissional. Destacou as empresas que trabalhou e disse que de todas elas tem carta de recomendação. Vangloriou-se de, apenas com 31 anos, ter uma atuação profissional e política que considera importante. Nem esperou descer da tribuna. De lá mesmo demonstrou que o discurso na prática é outra coisa.


 O vereador José Roberto Bernardes apenas completou o desmonte, quando disse que Tuco havia assinado diversas ações contra ele, todas até agora sendo derrotadas quando analisadas pelo judiciário. "É confortável saber que Tuco está amuderecendo e já pensa que para fazer uma denúncia ela tem que passar por peneiras", disse José Roberto.


 Em seguida, de documento em punho, disse que, ao contrário de Tuco, fazia a denúncia baseado em dados concretos, mostrando a assinatura de Alexandre e assessores. Depois, encaminhou, por ofício, pedido para que o presidente da Casa encaminhe à Comissão de Ética o "Contrato" para avaliação.


Ademais Renatinho Ourives abordou a reportagem e disse que não se furtara dar parecer sobre matéria do executivo que trata de suplementação orçamentária para construção de salas de aula. Mostrou que tinha prazo até o dia 03 de julho, mas que o parecer já estava pronto desde o dia 31 de maio. Na segunda mesmo o projeto foi votado.


 Ainda fizeram uso da palavra Marcos Salutti, que defendeu o projeto de sua autoria que propõe medidas de prevenção à gravidez na adolescência, também aprovado em primeira votação e Hilton Silva que disse da valorização de imóveis nos bairros Santa Luzia, Recanto da Harmonia e Bela Vista, em função da construção de obras públicas, como Pronto Socorro e escolas.


 Mas o fato marcante foi o silencio de Tuco e Alexandre. De Tuco nem tanto, mas de Alexandre pior, o silêncio aí funciona como a atitude da avestruz diante do perigo: enfia a cabeça no buraco com a esperança de que o perigo se afaste. No caso de quem tem vida pública é um recurso inadequado.

  • criado por  carlosalbertoalves criado por carlosalbertoalves
  • Postado em 09:57:14