16.06.07
Sobre Construção Partidária e Outras Ações Sociais
O deputado estadual André Quintão (PT) esteve em Passos participando da Conferência Municipal de Assistência Social. Diz ter uma atuação suprapartidária de apoio às questões sociais e reconheceu que a cidade tem uma boa rede de assistência ao mais pobre. Disse que não gostaria de ver seu trabalho de apoio a este serviço social comprometido pelas brigas políticas locais e estendeu seu manto protetor sobre seu assessor na cidade.
Claro, isto é um problema do deputado.
Bom, seria, se o dinheiro que paga este assessor não fosse do contribuinte se, como diz entender André Quintão, não estivesse entre as atribuições desse “funcionário” fazer “a construção partidária”.
Trocando em miúdos, o que o deputado afirma que é que é permitido a funcionário da Assembléia Legislativa de Minas trabalhar na “base” tendo como um dos objetivos fazer crescer o partido político a que pertence, no caso, o PT.
Será mesmo?
Se for prestar atenção nas ações desses “fantasmas” que hoje perambulam pelas ruas de Passos nada se viu deles em prol das questões sociais da cidade, como o hospital do Câncer (de certo daqui a pouco vai aparecer alguma emenda destinando recursos para a construção do mesmo), o apoio aos menores abandonados, hoje um motivo de preocupação para as autoridades municipais, nem tão pouco se viu qualquer articulação destes em favor de uma discussão mais aprofundada sobre os problemas sociais locais.
O que se percebe aqui e ali são estes senhores trabalhando manifestações, preparando abaixo assinado com o objetivo de defender seus empregos e sacar seu fel contra quem, acreditam, não comungam de seus pensamentos políticos partidários.
Uma pena que, ao ser abordado sobre o assunto, o deputado se mostre irritado e ainda deixe perspassar na sua fala uma ameaça, a de que poderia deixar de “ajudar” o trabalho de assistência social, se as “brigas” políticas atrapalharem.
Ora, por quem este deputado toma os cidadãos desse município que até hoje souberam tão bem, como ele mesmo reconhece, cuidar de seus problemas? Não que as ajudas não sejam bem vindas, mas condicioná-la, mesmo que de forma velada, não fica bem para quem se diz adepto de uma prática moderna de fazer política, que inclui a de deixar sem qualquer fiscalização a ação de uma assessoria que só tem a “obrigação” de prestar contas “ao gabinete”, como se este gabinete não fosse pago também com o dinheiro do contribuinte.
Mas o deputado estadual, afinal, deixou as coisas bem postas: o assessor deve se preocupar em fazer a “construção partidária”. Ou seja ele está sendo pago com o dinheiro do povo para fazer política partidária, antes de qualquer ação social mais importante. Neste caso não precisa mesmo de um escritório, mas de apresentar, talvez, como comprovação de sua eficiência, uma boa quantidade de fichas de filiação ao PT.
É assim que ele apóia a construção de uma sociedade mais crítica: custeando funcionários que não precisam prestar contas à sociedade sobre suas atividades e tendo como uma das atribuições fazer crescer o partido a que pertence a custo do dinheiro do povo.
Quem te viu e quem te vê hein PT?

-
criado por carlosalbertoalves
05:19:07